sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sim, eu quero

Eu quero um homem que me banque, que me adote, que me assuma, que me mime. Eu quero poder sonhar com um encontro maravilhoso, com alguém que se apaixone por mim da maneira como eu sou. Com unhas mal feitas e cabelo de escova progressiva com raízes brancas. Com as rugas que estão nascendo no meu rosto e com esse meu jeito meio mondrongo, meio hermitão. Eu quero um homem que goste de cavalos tanto quanto eu, que goste dos meus cachorros e admire a minha profissão. Quero alguém que se junte a mim, porque junto a gente vai longe, a gente vai arrebentar. Sim, porque eu não aguento mais remar sozinha e bancar a forte e achar que é esse o caminho porque é assim que a vida é. Quero um homem que esteja do meu lado quando eu chorar. Que esteja do meu lado para cobrar, que funcione como um guarda-costas e seja o que falta em mim para aquele grande salto que eu sonho em dar. Assumo que tem coisas que homem faz muito melhor que mulher. Assumo que não vejo grandes mulheres arrebentando na minha profissão, não sozinhas. Assumo que quero chegar em casa e fazer uma sopinha para o meu amado. Quero fazer amor e sentir o que eu já senti um dia pela pessoa errada. Quero ficar nervosa quando ele entrar na pista e quero acompanhar cada passo do cavalo dele. Vai ser o nosso filho. Vai aumentar ainda mais a nossa ligação. Vai ser importante para nós dois.

Tenho direito de sonhar com isso. Tenho direito de querer isso para mim. Não consigo entender o que acontece. Sempre quis, nunca consegui. Será errado? Pode ser mais novo e se encantar com a minha maturidade. Pode ser mais velho e se apaixonar pela minha inocência. Como querer isso tudo, pensar nisso tudo e não me decepcionar? Não quero fingir que esse assunto não me afeta, que não estou nem aí. Eu tô muito aí, se você quer saber.

Tento ser diferente do que eu sempre fui. Olhar com olhos abertos. Ter cara de feliz, já que o sorriso é o que chama mais atenção. Cumprimentar todo mundo, me fazer ser vista, não ter medo.

Sim, você tem razão - ainda não mostrei para quê vim. Sempre escorregou da minha mão no final. Mas não aguento mais. Quero dar a mão para alguem, quero ter que consultar alguem para saber o que eu vou fazer mais tarde. Quero ter alguem na minha cama sexta a noite.

Quero a prova concreta que estou preparada, que sou mulher, que sou culta, que posso conversar com quase qualquer um, em quase qualquer situação (você pode até escolher a língua...). Que sei me arrumar, que vale a pena ser bonitinha e ter alguma estampa. Que aos 30 sou muito melhor que aos 20. Que sei cuidar, que sei amar. Que valeu a pena ter esperado tantos anos e ter errado tantas vezes o caminho para ter tido esse encontro perfeito. Quero dizer que a vida realmente era muito chata antes disso acontecer. Porque realmente tá um saco.

3 comentários:

Unknown disse...

Adorei.

Vc leu a coluna da Marta Medeiro? Lembrei de vc, apesar de ser bem oposto a isso tudo aí.

bj

Unknown disse...

só não se esqueça que esse mesmo homem amável e carinhoso que vc está descrevendo, tb tem suas horas chatas insuportáveis egoístas, que dá vontade de largar tudo e virar feminista extrema, igual a minha amiga.

Paula disse...

Li a coluna, mas não lembro. O que era mesmo?
E eu sei, esse homem tb vai me pentelhar!!!! Não tem jeito, a gente tem sempre que reclamar um pouquinho, né?