sábado, 22 de agosto de 2009

Division Bell

Sábado de glórias. Sábado de chuva. Sábado de lama. Sábado de teatro. Sábado de solidão.

Foi tomar um banho na esperança da água quente disfarçar as lágrimas, ou quem sabe, dissolver a carapaça de aço que a separava cada vez mais do mundo. Para ela, isso era inexplicável. Do auge da forma, só via as derrotas. Um era apaixonado pela ex. Um nunca se separou. Um se casou. Um nunca se entregou. Um nunca a olhou. Um sumiu. Um ficou com outra. Bons momentos com o pior de todos (ou teria sido o melhor de todos?). O mundo a sua volta se une. Parece que todos se encontram na vida. E ela continua com a mesma pergunta - o que a torna cada vez mais avessa a relacionamentos de um modo geral?

Ela tenta tirar forças do fundo sabe-se lá de onde para ir na casa da vizinha, sábado a noite, comemorar o aniversário. De casamento marcado para daqui há mais de um ano, o assunto da pauta é previsível - cor das toalhas, modelo do vestido, músicas da cerimônia, lista de convidados. Chá de panela, roupa de cama. Ganhei um edredon, já tenho máquina de lavar roupa. Bonequinhos do bolo.

Tenta se lembrar onde começou a errar, quando entrou nesse túnel estreito, de onde não consegue sair e também não enxerga a luz no final. Se lembra da amiga que recentemente lhe falou que para ela será realmente dificil. Quem vai enfrentar tanta independência, tanto desprendimento? Pensa na outra que torce mais por ela que ela mesma. Pensa nas solteiras, não quer ser como elas. Pensa nas casadas, tampouco quer ser como elas. O que ela quer da vida, afinal?

O banho acabou. As lágrimas continuam, agora mais fortes ainda que antes. Se arrependeu de ter usado o seu CD favorito como trilha sonora de uma das piores conversas que já teve, que certamente adicionou mais uma camada de aço à sua carapaça. Agora, toda vez que o escuta, agudiza aquele momento. Amanhã, apesar de ser domingo, o dia vai ser duro. Vai ser mais um daqueles que ela sabe que vai voltar para casa querendo ter alguém ao seu lado, dividindo toda a força que tem que fazer todos os dias. Ela não queria ter que ser forte, queria ser delicada, fraca, amparada, mulherzinha. Ela queria uma companhia concreta nesse momento, e não apenas o Mario Vargas Llosa. O telefone não tocou, assim como não toca há muito tempo. Ela queria seu entorpecente favorito. Ela queria piscar, e que quando abrisse os olhos, já fosse segunda feira.

4 comentários:

Unknown disse...

é a pergunta irritante da análise: O que você quer da vida???????? O pior desta palavra é que só você pode responder. Não tem a amiga, nem a irmã, nem a analista para responder. é contigo mesmo!

A REVISTA estava ótima esse domingo, vou guardar toda para vc.

Espero que no meu papel de amiga, eu ajude e não seja mais uma a pressionar, e a principal detonadora do pior melhor namorado psico.

é isso, persista qeu um dia a resposta vem.

Paula disse...

don't worry, o principal detonador do pior melhor namorado psico foi o próprio...

Unknown disse...

sou que torço mais qeu ela mesma??? ou que falo que homem tem medo de mulher independente.

Unknown disse...

oi professora....