domingo, 11 de maio de 2008

Luto

Há muito não escrevo. Nem aqui nem no meu caderno. Domingo, frio, solidão, angústia e tristeza. Ontem foi meu aniversário. Fui dormir chorando. Fui acordada com um telefonema dando a notícia que morreu o pai de um ex-namorado muito querido e importante, o mais importante de todos. Foi a minha maior referência de namoro, relacionamento nos moldes tradicionais. Tem uma história de muito sofrimento. Mais lágrimas. Muitas lágrimas. Chorando pelos cantos, no banheiro, no quarto, na cozinha.

As coisas têm sido muito difíceis. Não posso reclamar, tenho saúde, família, trabalho. Me agarro ao meu trabalho como minha única salvação. Mas por outro lado, tem uma solidão interna, uma angústia, que é uma coisa muito funda. Há muito tempo tem um peso, uma tristeza, que talvez seja difícil de justificar. Será que ser solteira e estar absolutamente sozinha seja a resposta? Não consigo me livrar dos meus "fantasmas", não consigo virar as páginas, sacudir a poeira. Às vezes até acho que vou conseguir, mas é ilusão. Parei a análise pra juntar dinheiro, e vou fazer uma mega viagem pela Europa. A primeira pergunta que me fazem, antes mesmo de quererem saber para onde, é: "sozinha?". Sozinha. A primeira parte é com uma melhor amiga. O resto é sozinha. Eu e a minha mala.

Quero ser capaz de esquecer tudo que vem me perseguindo por tanto tempo. Mas sei que é uma perseguição mental, e não física. E que não adianta fugir, porque quando eu voltar, vai estar tudo aqui no mesmo lugar.

Uma paixão marcante de alguns anos atrás voltou a me procurar. É muito reticente, como não poderia deixar de ser, e não sei quais são as intenções. Mas foi um desses que quando acontece, faz o sol ficar mais quente, o dia mais bonito, as estrelas mais brilhantes. Foi ilusão e o sol voltou a ficar frio, os dias feios e as noites nubladas. Ele me deixa um recado dizendo que sou especial.

O outro me manda um recado no dia seguinte, pedindo desculpas porque esqueceu, mas me deseja tudo de melhor na vida. Não poderia ter ligado? Não poderia ter lembrado?

Enquanto isso, repasso mentalmente todos os momentos com o que mais me fez ser feliz ultimamente. Era com ele que eu era eu de verdade. Era com ele que eu queria estar agora. Queria ligar e saber o que ele tá fazendo, se pensa em mim.

Quando a auto-estima é baixa, e você se sente um cocô, dá pra entender porque ninguém se aproxima. Mas e quando vc se sente bonita, capaz, descolada? Como explicar que todos ao seu redor te acham especial, e você continua na solidão?