domingo, 16 de novembro de 2008

Crônica de Mario Prata - As Mulheres de Trinta

O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, do Honoré de Balzac, escritomais de 150 anos. Olhe o que ele diz:

“Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer”.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: “Madame Bovary c’ést moi”. E a Marylin Monroe que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos à nossa mulher de trinta, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de trinta bebe. A mulher de trinta é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passam, automaticamente a terem 40. E o que mais encanta nas de trinta é que parecem que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha.

A mulher de trinta está para se separar. Ou se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos quarenta elas arrumam o segundo e definitivo.

A grande maioria têm dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote do seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de trinta guiando jipe? Covardia.

A mulher de trinta ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de vinte, nunca ficaram. Quando resolvem vão pra valer. Fazem sexo como se fosse a última vez. A mulher de trinta morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele vinte ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena que, infelizmente, nunca chegou aos 30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de trinta é a independência. Moram sozinhas e suas casas tem ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, a hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.

São fortes as mulheres de trinta. E não têm pressa pra nada. Sabem onde vão chegar. E sempre chegam.

Chegam atrás, no Balzac: “a mulher de trinta anos satisfaz tudo”.

Ponto. Pra elas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Novo amanhã





Se não vou pensar em você, vou trabalhar muito e estudar também. São opções muito melhores do que gastar o meu tempo com você. Afinal, tenho tanta coisa para estudar, tanta coisa acumulada. Vou concertar aquela lâmpada do escritório que tá me dando nos nervos. Termino esse livro da Isabel Allende, ótimo por sinal, essa semana ainda. E juro que só vou começar uma nova tarefa quando tiver terminado a tarefa prévia, e não vou chegar ao final não-sei-de-que, que nem mesmo tinha começado, sem me lembrar o que eu tava fazendo mesmo antes?

Vou mentalizar em cada coisa que eu estiver fazendo.

Pausa -
Você não vai acreditar - estou aqui escrevendo e começa a tocar "vou cuidar, cuidarei muito bem dele, eu vou cuidaaaaaaaaar do seu jardim...". Ironias do acaso! Te zoei tanto com isso. Aliás, a melhor coisa que você me deixou foi o Nano. Estou in love com o meu i-pod. Muito obrigada por ter me dito que eu teria uma qualidade de vida melhor quando eu tivesse um. Você tinha razão.

E como você não vai mesmo bater na minha porta - estou cagando pra você, seu mané.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Carta para um certo alguém

Não me procure mais. Te imploro. Não vou ter coragem de não atender, de dizer não, ou de te falar para me deixar em paz. Não posso continuar achando que todos os homens no mundo são canalhas e que todas as mulheres são simplesmente "qualquer uma". Eu não sou qualquer uma, e não é possível que não haja homens normais nesse mundo.


Você é doente e precisa se tratar. Não quero mais me submeter aos seus caprichos de menino mimado. Qualquer um diria que você é um babaca. Eu digo que você é um reflexo da vida que te deram desde que você existe. Eu sou capaz de entender. Talvez isso seja amor, o que eu nunca soube de verdade o que é. Eu sei que a nossa sintonia é ótima, que você seria o meu companheiro ideal. Talvez seja difícil encontrar outro com uma sintonia tão afinada, embora não seja impossível.


Não posso aceitar as suas atitudes. Não existe ciúme, nem posse. Existe uma auto-estima que resolveu se aflorar, se manifestar. Não é essa auto-estima que me faz ir ao salão cortar o cabelo, ou colocar uma roupa bonita. É a que me faz querer ser especial, querida, única.


Por isso, e por muito mais, te imploro - me deixe em paz. Não me procure, nem nos meus sonhos.