sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Mais um fim de ano

Não ligo muito pra datas, nunca liguei. Aniversário, dia das mães, dos pais, sei la mais o que. Inclusive Natal. Aquela gastação, aquela comilança e agora, pra mim, muito trabalho. Mas Ano Novo mexe comigo. É uma renovação. Hora de olhar pra frente mesmo. Há muitos anos tenho ficado meio no "fundo do poço" nessa data, e do fundo do poço não é possivel olhar pra frente - tudo que se vê é uma parede.

Esse ano estou tentando fazer diferente. Longe do fundo do poço, mas também não olho pra frente. Quer dizer, olho pra frente sim, mas pra frente agora e hoje. Ser feliz, ser positiva, ter confiança. Não olho pra frente longe, mas uso os óculos de perto!

sábado, 13 de dezembro de 2008

The day after

Ontem me casei comigo mesma no meu blog. Foi ótimo, divertidíssimo (além de brega...).
Agora página virada. Vou tentar. O assunto tem sido recorrente. Não sei se é porque sempre tem um péla-saco que pergunta: "E você, já casou?", ou se é culpa da idade mesmo. Acabei de assistir a Sex and the City, o filme. Decepcionante ver o Mr. Big se render. Será que eu tô igual à Carrie, com neurose de casamento (a diferença é que ela pelo menos tinha noivo...)? Outra diferença, já comentada antes, mas que vale ser repetida, é que ela fica solteira em NY, e não em Teresópolis...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

casamento mexe com a cabeça da mulher (já dizia Cafusa...)

19h no horário de verão. Céu de brigadeiro, nenhuma nuvem. Temperatura amena o suficiente pra ninguem sentir frio, nem calor. A grama e o jardim impecáveis. Ao som de La vie en Rose (versão Grace Jones) os "padrinhos", pais e irmãos atravessam o corredor de velas sobre o gramado. Ela entra de mãos dadas com o pai, leve como uma pluma, felicidade que se vê a quilômetros de distância. O "noivo", radiante, já foi o primeiro a entrar e a espera na varanda da casa antiga. Ela sobe as escadas do jardim, que só foram usadas na época do polícia & ladrão na infância. O vestido é simples, e por isso mesmo lindo. Nas mãos algumas poucas flores. Pais, irmãos e padrinhos se acomodam ao redor de uma mesa na varanda, e um juiz faz o casamento mais bonito da história. Let it Grow, Renaissance, toca enquanto eles assinam o tal livro e se cumprimentam. Ela olha pro irmão e fala o "poetry" da música, com "P" aspirado, piada que só os dois sabem. Se abraçam. My Sweet Lord, de George Harrison, toca enquanto todos saem e vão para a tenda de toldo transparente armada no outro jardim, sob aquela árvore linda que ela não lembra o nome. Mesas, flores, velas, toalhas brancas. Comidinhas gostosas, pessoas amigas e felizes. No patamar da piscina, outra tenda e a pista de dança. Som cuidadosamente escolhido. Os noivos, agora casados, dançam Façamos de Elza Soares e Chico. O som rola baixo um pouquinho, enquanto as pessoas conversam, se cumprimentam e jantam. Depois rock and roll e samba. Todos dançam até as tantas horas... Ah - sobremesa: brigadeiros enrolados no açúcar e cajuzinhos! Memorável....

domingo, 16 de novembro de 2008

Crônica de Mario Prata - As Mulheres de Trinta

O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, do Honoré de Balzac, escritomais de 150 anos. Olhe o que ele diz:

“Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer”.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: “Madame Bovary c’ést moi”. E a Marylin Monroe que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos à nossa mulher de trinta, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de trinta bebe. A mulher de trinta é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passam, automaticamente a terem 40. E o que mais encanta nas de trinta é que parecem que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha.

A mulher de trinta está para se separar. Ou se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos quarenta elas arrumam o segundo e definitivo.

A grande maioria têm dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote do seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de trinta guiando jipe? Covardia.

A mulher de trinta ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de vinte, nunca ficaram. Quando resolvem vão pra valer. Fazem sexo como se fosse a última vez. A mulher de trinta morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele vinte ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena que, infelizmente, nunca chegou aos 30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de trinta é a independência. Moram sozinhas e suas casas tem ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, a hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.

São fortes as mulheres de trinta. E não têm pressa pra nada. Sabem onde vão chegar. E sempre chegam.

Chegam atrás, no Balzac: “a mulher de trinta anos satisfaz tudo”.

Ponto. Pra elas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Novo amanhã





Se não vou pensar em você, vou trabalhar muito e estudar também. São opções muito melhores do que gastar o meu tempo com você. Afinal, tenho tanta coisa para estudar, tanta coisa acumulada. Vou concertar aquela lâmpada do escritório que tá me dando nos nervos. Termino esse livro da Isabel Allende, ótimo por sinal, essa semana ainda. E juro que só vou começar uma nova tarefa quando tiver terminado a tarefa prévia, e não vou chegar ao final não-sei-de-que, que nem mesmo tinha começado, sem me lembrar o que eu tava fazendo mesmo antes?

Vou mentalizar em cada coisa que eu estiver fazendo.

Pausa -
Você não vai acreditar - estou aqui escrevendo e começa a tocar "vou cuidar, cuidarei muito bem dele, eu vou cuidaaaaaaaaar do seu jardim...". Ironias do acaso! Te zoei tanto com isso. Aliás, a melhor coisa que você me deixou foi o Nano. Estou in love com o meu i-pod. Muito obrigada por ter me dito que eu teria uma qualidade de vida melhor quando eu tivesse um. Você tinha razão.

E como você não vai mesmo bater na minha porta - estou cagando pra você, seu mané.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Carta para um certo alguém

Não me procure mais. Te imploro. Não vou ter coragem de não atender, de dizer não, ou de te falar para me deixar em paz. Não posso continuar achando que todos os homens no mundo são canalhas e que todas as mulheres são simplesmente "qualquer uma". Eu não sou qualquer uma, e não é possível que não haja homens normais nesse mundo.


Você é doente e precisa se tratar. Não quero mais me submeter aos seus caprichos de menino mimado. Qualquer um diria que você é um babaca. Eu digo que você é um reflexo da vida que te deram desde que você existe. Eu sou capaz de entender. Talvez isso seja amor, o que eu nunca soube de verdade o que é. Eu sei que a nossa sintonia é ótima, que você seria o meu companheiro ideal. Talvez seja difícil encontrar outro com uma sintonia tão afinada, embora não seja impossível.


Não posso aceitar as suas atitudes. Não existe ciúme, nem posse. Existe uma auto-estima que resolveu se aflorar, se manifestar. Não é essa auto-estima que me faz ir ao salão cortar o cabelo, ou colocar uma roupa bonita. É a que me faz querer ser especial, querida, única.


Por isso, e por muito mais, te imploro - me deixe em paz. Não me procure, nem nos meus sonhos.

domingo, 24 de agosto de 2008

LF Veríssimo

Não sei se já postei esse texto do Veríssimo. É bárbaro!

“Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou, ainda joga; quem quase passou, ainda estuda; quem quase amou, não amou!

Basta pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no Outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima; o amor enlouquece; o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance.

Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti.

Gasta mais horas realizando, que sonhando...

Fazendo, que planeando...

Vivendo, que esperando...

Porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive, já morreu...”

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Europa 2008

Resolvi dar uma pausa no ritmo maluco de trabalho, e enquanto espero o hipismo começar na televisão, vou atualizar mais um capítulo da minha viagem.

Amsterdam

18 horas.
Praça do Ryks.

Não comprei o caderninho no Rembrandt. Comprei aqui.

Amei essa cidade. Civilazação legalize. Não ter medo de polícia. Pessoas felizes, educadas. Todas as tribos. Harmonia. Diversão para todos os gostos.

É incrível andar no meio de uma praça sem ter medo de ser assaltada, sem ficar "ligada na pivetada". É claro que tem que ficar ligada. Vi poucos malucos, proporcionalmente menos que no Rio. Não fui no Red Light Zone. Fiquei no "BG" Leidesplein e arredores.

Lembrei do papel do "EU QUERO". Vou reler quando chegar em casa. Acho que já consegui muita coisa.

Vou escrevendo sem ordem.

Parque - demais. Sol. Galera civilizada e tranquila. Sem pagode. Não vi lixo jogado apesar de vários piqueniques rolando.

Cavalos
- Eurocommerce é nota 100. É o que eu queria que fosse o Haras Boa Fé. Me deu muito ânimo para voltar a trabalhar. Os mesmos problemas estarão lá. Mas eu vou estar diferente. França foi ótimo, mas não estaria feliz se tivesse ido para trabalhar lá. Não quero ser mão de obra barata. Já tive a minha cota.

As cores estão lindas. Sinto falta de fotografar.

Sem hipocrisia - me sinto muito mais preparada para trabalhar com cavalo. Não tanto na veterinária, mas no mundo da criação, do manejo de cavalo.

Virei páginas de várias relações, reset total.

PARIS
Chegada estressante, com humor e sansacional. A sensação "estar em Paris" é maravilhosa. Ficou cansativo. No geral foi muito bom.


quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Europa 2008

Amsterdam, 03/07/08

Turning point na minha vida.
Experiência única.
O silêncio da própria voz.
Ouvir o mundo e o interior.
Principalmente o interior.

O que eu quero - ler a mim mesma, sem falar com ninguém.

Sempre nos extremos do rural/urbano. Até na Europa. Gostei da Holanda. Amei o GPS (sonho de consumo...).

Devia ter começado a escrever antes, no início da viagem. Que vacilo...

Fiquei estarrecida com o Eurocommerce. Deu até vontade... Vi que não quero morar na Europa. Não quero vir sozinha. É uma coragem que aos 23 eu teria, mas aos 32 não tenho mais. Meus projetos no Brasil estão rolando bem. Agora quero aplicar neles, pra poder vir mais vezes. Vi como adoro ficar sozinha.

Quantas vezes me peguei tão feliz, mas tão feliz, que dava até uma certa culpa (tratei mais que rapidamente mudar o assunto mental). Aliás, como se fala em silêncio. Chega a ser cansativo. Celular off. Retornando ao interior depois de alguns dias falando verbalmente.

Vou comprar um caderninho lá na casa do Rembrandt.

Demorô.

La tertulia.

Eurocommerce




sexta-feira, 25 de julho de 2008

Atualizações

Muito tempo se passou da última vez que eu escrevi. Viajei, e vou aos poucos passando algumas coisas do meu "diário de viagem". Foi a melhor coisa que eu fiz nos últimos tempos, e isso significa muito tempo. Me deu um novo gás, me ensinou muitas lições. Vi que as coisas vão acontecendo da maneira que a gente quer, sim. Vi que o importante em tudo é saber o que a gente quer. É o importante e o mais difícil também. Depois, é só querer. Cheguei de 28 dias inesquecíveis de uma viagem muito planejada em alguns aspectos e de muitas surpresas em outros. O encontro comigo mesma foi sensacional. Algumas descobertas são um tanto quanto assustadoras. Mas agora é preciso sempre lembrar dessas lições - manter a calma, respirar, saber que as coisas vão se resolver. Cheguei com gás total, acreditando no que eu quero, acreditando no que eu acredito. Cheguei e as coisas foram acontecendo. Coisas importantes de reconhecimento profissional, do tipo "agora chegou a minha vez", e me sinto mais preparada que nunca pra encarar os novos desafios. Olhando pra trás, vi lições novas nas experiências mais dolorosas recentes que eu passei. Entendi o que na ocasião não tinha resposta - quando eu me perguntava "mas, por que?????" Ainda não sei muito bem "por que", mas sei que aprendi, que tenho mais segurança. Tô feliz. Vi que o fundo do poço também serve pra mostrar que o ar que a gente respira na superfície é cada vez melhor.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Pois é....

Mais uma vez - foi legal e eu sei que ele gostou, mas ele sumiu.

Será que foi porque é a semana do "dia dos namorados"? Será que sou muito independente? Será que eu assusto? Será que eu não sei de nada, e na verdade ele não gostou? Não faço drama e não tô sofrendo por isso. Passou a fase da angústia, da ansiedade. Entrou a fase da curiosidade - que porra é essa???

Não sou do time que acha "falta de respeito" o cara não ligar no dia seguinte. Sou do time que acha que se o cara gostou de um fim de semana junto - dormir às 3 da manhã, acordar às 11, transar várias vezes de manhã, tomar café na varanda, pedir pra você ficar um pouco mais - ele vai mandar um sinal de fumaça - um torpedo perguntando se eu cheguei bem em terê.

Tá - ele pode estar atolado de trabalho. Mas não justifica. Caído. Mandou mal. Não tem como não lembrar da época do "desapegado".

Esse era pra ser diferente. Depois dizem que mulher é complicada.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Alegria

Sabe aquele momento em que tudo se encaixa? Chega um cara legal, junto com uma viagem maneira, trabalho rendendo frutos. Tudo muito bom! Vem pra provar, mais uma vez, que o luto passa. Ainda bem que ele existe, serve pra valorizar mais os momentos felizes!

Não sei se penso no gatinho novo, no horário do trem de Paris para Amsterdam, ou
no trabalho... ai ai....

domingo, 11 de maio de 2008

Luto

Há muito não escrevo. Nem aqui nem no meu caderno. Domingo, frio, solidão, angústia e tristeza. Ontem foi meu aniversário. Fui dormir chorando. Fui acordada com um telefonema dando a notícia que morreu o pai de um ex-namorado muito querido e importante, o mais importante de todos. Foi a minha maior referência de namoro, relacionamento nos moldes tradicionais. Tem uma história de muito sofrimento. Mais lágrimas. Muitas lágrimas. Chorando pelos cantos, no banheiro, no quarto, na cozinha.

As coisas têm sido muito difíceis. Não posso reclamar, tenho saúde, família, trabalho. Me agarro ao meu trabalho como minha única salvação. Mas por outro lado, tem uma solidão interna, uma angústia, que é uma coisa muito funda. Há muito tempo tem um peso, uma tristeza, que talvez seja difícil de justificar. Será que ser solteira e estar absolutamente sozinha seja a resposta? Não consigo me livrar dos meus "fantasmas", não consigo virar as páginas, sacudir a poeira. Às vezes até acho que vou conseguir, mas é ilusão. Parei a análise pra juntar dinheiro, e vou fazer uma mega viagem pela Europa. A primeira pergunta que me fazem, antes mesmo de quererem saber para onde, é: "sozinha?". Sozinha. A primeira parte é com uma melhor amiga. O resto é sozinha. Eu e a minha mala.

Quero ser capaz de esquecer tudo que vem me perseguindo por tanto tempo. Mas sei que é uma perseguição mental, e não física. E que não adianta fugir, porque quando eu voltar, vai estar tudo aqui no mesmo lugar.

Uma paixão marcante de alguns anos atrás voltou a me procurar. É muito reticente, como não poderia deixar de ser, e não sei quais são as intenções. Mas foi um desses que quando acontece, faz o sol ficar mais quente, o dia mais bonito, as estrelas mais brilhantes. Foi ilusão e o sol voltou a ficar frio, os dias feios e as noites nubladas. Ele me deixa um recado dizendo que sou especial.

O outro me manda um recado no dia seguinte, pedindo desculpas porque esqueceu, mas me deseja tudo de melhor na vida. Não poderia ter ligado? Não poderia ter lembrado?

Enquanto isso, repasso mentalmente todos os momentos com o que mais me fez ser feliz ultimamente. Era com ele que eu era eu de verdade. Era com ele que eu queria estar agora. Queria ligar e saber o que ele tá fazendo, se pensa em mim.

Quando a auto-estima é baixa, e você se sente um cocô, dá pra entender porque ninguém se aproxima. Mas e quando vc se sente bonita, capaz, descolada? Como explicar que todos ao seu redor te acham especial, e você continua na solidão?

sábado, 5 de abril de 2008

Querido diário,

Hoje foi um dia maneiro. Um projeto realizado com sucesso - o primeiro enduro do Urucum. Um desses dias que recompensam todo o trabalho. Sucesso e reconhecimento. Fiquei feliz mesmo, mas muito cansada. Acabei vindo pra casa e, mais uma vez, solidão. Sei que estou caminhando para fora, aos poucos. Mas faço a seguinte reflexão:

Trabalho pra casseta, e hoje vi resultados. Foi o resultado de empenho, dedicação, transposição de obstáculos. Por que não posso ter a mesma atitude em relação à vida pessoal? Me empenhar, me dedicar, transpor obstáculos?

Queria chegar em casa e ter um recado carinhoso à minha espera. Seria o bastante para me fazer feliz, confortada.

A Babá está internada, morrendo. Muito velhinha e muito doente. Cuidou muito de mim, a minha vida quase toda. Quando a minha mãe não tava, às vezes deixava de ir ao colégio porque ela ficava com pena de me acordar. Fazia o melhor feijão. Tenho muito carinho por ela, mas infelizmente não tinha mais muito contato. Ela foi morar com a família dela. Estava há muito tempo planejando uma visita com a minha irmã, mas éramos sempre "muito ocupadas". Hoje me arrependo muito de não ter ido visitá-la quando ela ainda estava bem, e quando teria ficado tão feliz por nos ver. Como são tristes essas partidas. Quero muito que ela não sofra muito tempo. Temos que lembrar que a vida passa, sempre.

Hoje virou diário.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O Um e o Outro

E então ela decidiu de uma vez por todas acabar com essa história do Um e do Outro também. Afinal de contas, ambas histórias já duravam mais de um ano (um e meio do Um e um ano do Outro). O Outro completava o Um, e na mais crua verdade, ela não tinha nenhum dos dois. O Um era o oposto do Outro em tudo, mas ainda assim, ela continuava sem nenhum. Para o Um, ela verbalizou a despedida. Já com o Outro, ela não teve coragem. Não por ele, mas sim por ela. Se perguntava pra quê destituir o Outro do cargo de "massageador do ego". Se respondia que não massageava coisa alguma, nem por perto ele andava. O contato era virtual e esporádico. A grande falta mesmo que ela sentia, era do Um. Sentia o gosto dele, o cheiro dele, ouvia a voz dele, e o via em cada moto, cada carro igual ao dele. Várias ilusões durante o dia, mas o coração sempre disparava. Será que algum dia vai acontecer de novo? Ela sabia que o Um até podia pensar nela de vez em quando, mas ele resolvia esse assunto rapidamente passando ao próximo nome gravado no celular. Quem sabe não era com a mesma inicial? Era o Um que ela queria que a quisesse. Era o Um que encaixava quase perfeitamente nos sonhos dela. Bastava o Um para o mundo ficar completo. Mas era o Um dos sonhos dela, e não o da realidade. Ela queria o mesmo lugar na vida do Um, e foi aí que ela viu que o Um não seria exatamente a peça que faltava na vida dela. E era aí que ela apelava para o Outro, que fornecia o que faltava no Um, e aí ela não precisava de mais ninguém. Mas e quando faltavam os dois?

Ela finalmente conseguiu ficar uma semana sem o Outro também. Solidão mais profunda. A essa altura, o Outro também a deixou por uma semana. Quando, um dia, se manifestou. "É engraçado o que a vida faz da nossa vida - ela afasta, ela tira...". Ela então falou para o Outro o que queria ter dito para o Um. O sol voltou a brilhar. Mas uma nuvem o cobre em pouco tempo. O Um deu uma resteira na auto-estima dela, e o outro não foi capaz de ajudar, apesar de ter se esforçado. Ela não sabe por que não consegue. Mas ela sabe que a vida está do lado de lá da porta. Bastaria colocar a mão na maçaneta e girar. O mundo está lá, mas não espera por ninguém. Ela pode dar um pulo e fazer parte dele. Mas ela não consegue. Continua paralisada. E fala com o Outro, como se ele fosse resolver os problemas dela. Ela sabe que ele não vai, e nem ela gostaria que fosse ele a preencher essa vaga.

Ela vai dormir pensando: por que? Por que?

quarta-feira, 26 de março de 2008

O que eu quero

Outro dia, quando eu reclamava que as queixas na minha vida são as mesmas há muitos anos, o meu homeopata me mandou fazer um exercício. Em uma folha, escrever tudo que eu NÃO QUERO. Queimar essa folha, e jogar em água corrente. Em outra folha, escrever tudo que eu QUERO, e guardar essa folha.

Outro dia, fazendo o meu mapa astral, a astróloga falou que eu preciso mentalizar o que eu quero nos meus relacionamentos.

Cheguei a uma conculsão: eu não sei o que eu quero de fato.

Quero um homem que me priorize. Que me pegue no colo. Que se preocupe comigo. Que me admire por ser empresária e forte no meu trabalho, mas que saiba que eu vou chorar um dia quando chegar em casa. Quero que ele saiba o que me dizer nesse dia. Não precisa me ligar todos os dias, muito menos o dia inteiro. Que não me despreze, que eu não seja descartável. Que seja orgulhoso da minha companhia. Que abra a porta do carro para eu entrar. Que se lembre de mim no meio do dia dele. Que me veja mulherzinha, e que seja homem com H maiúsculo. Engraçado, química louca acima de tudo, que me desperte tesão e admiração.

É pedir demais?

quinta-feira, 20 de março de 2008

Semana terminando

Foi uma semana dura. Aconteceram coisas inacreditáveis. Só posso imaginar que a "urucubaca" ainda ronda. Quando eu penso que agora chega, já aconteceram todas as cagadas que poderiam acontecer, vem mais uma bomba. Uma receptora cheia com um embrião de um cliente importante, serviço pago, foi picada por uma cobra e morreu, na véspera de ir para o Haras. Acontece, eu sei. Mas tem acontecido demais comigo. Passei dois dias pensando no meu azar sem parar. Ontem me deu o clique. Não penso mais no meu azar. Azar mesmo foi da pobre da égua que morreu.

Semana passada fiz o meu mapa astral. Ela falou da minha habilidade de "ressurgir do fundo do poço". Sofro muito com as coisas, mas chega um momento em que eu dou o meu basta. Foi o que eu decidi fazer ontem. Foi uma cagada, mas vamos em frente. Estou procurando pensar na lição aprendida (consolo...) e mentalizando a seguinte frase:

Desejo a você em dobro tudo que me desejas.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Semana começando

Mais uma semana começando. Quero me concentrar. PRECISO me concentrar.

Carro na oficina, exame de sangue, trabalho em casa no computador. Deixei os arquivos importantes abertos para já começar o dia trabalhando em cima deles.

Estudar, concentrar, trabalhar, produzir. Ter resultados.

Mantras do dia.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Friday night

Fazer depilação, unhas das mãos e os pés também, claro. Comprar comidinhas, um bom vinho e queijo minas fresquinho. Limpar a casa, passar uma cera no chão para dar um cheirinho bom. Limpar o banheiro, esticar bem o lençol de forrar da cama. Meia luz no abajour. Pink Floyd Division Bell ao fundo, bem baixinho pra poder ouvir a chuva cair. Aquele creme da Victoria Secret que você adora. O edredom bem fofinho. Prometo que deixo os cachorros do lado de fora. Sem hora pra acordar no sábado. Ninguém em casa. Tudo pronto, agora é só a felicidade do telefonema dizendo "cheguei". Dormir agarradinho. Só um pouquinho de grude.

Ah... como seria bom....

domingo, 2 de março de 2008

Só mesmo ela...


Há uma década já se planejava esse dia. O dia da festa, da alegria, da reunião, da comemoração.
Faz a lista, contrata o buffet, encomenda flores para a decoração, tendas, toldo para a parreira com folhas de bananeira. E porque não aquele sambinha tão animado? Afinal de contas, ela adorou. E o dia chegou. Ela fez 90 anos! Formas física, psicológica e intelectual invejáveis. Não havia ninguém tão feliz, ninguém tão emocionado, ninguém tão lúcido, fino, elegante como ela. Juntou todas as tribos. Ressentimentos do passado ficaram do lado de fora do portão. E ela caiu no samba, aos 90 anos.

Eu acho que essa deve ser a receita da longevidade - felicidade, simplicidade, inteligência emocional. Um exemplo para os 90 convidados presentes.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Será o arco-íris?


Um tímido arco-íris me acompanhou hoje pela estrada. O meu trabalho tem dessas coisas - paisagens exuberantes, momentos únicos, e muita reflexão enquanto dirijo horas entre um lugar e outro. Pensei que preciso fazer "umas caipinhas" dos limões que surgem na minha vida, chega de sucos amargos. Eu sei que só depende de mim. Eu sei disso. O difícil é mudar a atitude. Aos poucos vou conseguir.

Quero te esquecer. Hoje você ainda me faz ter medo de felicidade. Quero que as lembranças venham em forma de "uso". Te usei durante um ano e meio. Te usei e agora te descartei. Não me persiga, não insista, me deixe em paz.


Depois da tempestade, vem um arco-íris de felicidade.

O de hoje ainda foi tímido, mas um dia será reluzente.

P.S. - E por falar em arco-íris, não me enche mais o saco com Boa-Fé. É Boa Fé mesmo. Sem hífem.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Vai mudar....

Concentração. Finalizar projetos. Começar uma atividade e conseguir terminá-la sem começar outras inúmeras no meio do caminho, até não saber mais o que eu tava fazendo mesmo? Saber o que quero. Enxergar os caminhos. Não me achar uma alienígena visitando o planeta terra. Saber cobrar. Saber quanto vale o meu trabalho. Vi-a-jar! Noronha? Querer estar com alguém certo. Não pensar em outros alguéns errados. Trabalhar. Querer comprar uma roupa. Conseguir comprar uma roupa. Sair. Ver gente. Conhecer pessoas. Conversar. Sentir e curtir o agora. Ir mais ao cinema. Conseguir fazer as malditas piruetas no ballet (sem ficar tonta na segunda...).

Estou sentindo a mudança batendo na porta. Por que tenho que ser sempre assim? Então é verdade que no fundo do poço tem uma mola? Acho que toquei nela, e estou começando o impulso da subida. A velocidade ainda está lenta, mas talvez seja melhor assim.

Aliás, o título do post está errado. Vou mudar!

sábado, 26 de janeiro de 2008

A vida continua.... pelo menos é o que dizem


10 horas levaram um cavalo da nossa convivência. Quem não entende de cavalo (ou do que eles significam na vida de uma pessoa) ou não gosta de animais, nem deve continuar a ler.

Era um tanque de guerra. Cativou todos que passaram perto dele, até os indiretamente envolvidos. Relinchava TODAS as vezes que me via, sabia que ganharia um biscoito. Vinha do piquete quando eu chamava. Era um vendido, fazia essas coisas com quase todos, mas me faz bem achar que era só pra mim. Voava sobre os obstáculos. E só quem teve o prazer se sentar na sua sela é que sabe a onipotência dele. Ele sabia que era o melhor. Ele não escondia isso de ninguém. Inteligente. Limpo. Personalidade exclusiva. Nunca deu um coice de propósito para acertar ninguém. Sua arma era o rabo, que parecia ter metros de comprimento, e mira certeira. Depois da rabanada, a cara de sonso - quem, eu? ah, desculpe...

Movia o dia-a-dia de muita gente. Todos envolvidos no seu cotidiano, ou no cotidiano do seu proprietário, cujo humor variava em função de um simples cavalo. "Como está o Gray?" - era a pergunta feita pelo segurança, pela recepcionista, pela secretária. Na verdade, o intuito era saber como estaria o poderoso chefão.

O olhar te abraçava, te consolava. Como se fosse um homem com H. Ele sabia que era tudo dele, tudo pra ele. Gostava do que fazia. Saltava com prazer, nunca por obrigação. Saía da pista realizado. Foi um guerreiro a vida toda. Sentiu muitas dores, e voltou a saltar, sem que tivéssemos descoberto exatamente qual era o seu problema. Melhorava, e metia bronca. Nunca "negou fogo". Nunca deu um refugo, mesmo que estivesse tudo errado. Fazia a cara de "deixa comigo, mas se segura aí em cima". Não gostava de saltar pequeno, e realmente não saltava pequeno... Ele nunca desistiu, e por isso, ninguém nunca desistiu dele. Era o desafio diário de todos.

De cima dele, a vida mudava. Ele tinha o poder de te fazer sentir capaz de fazer qualquer coisa na vida. Ou não. Se eu monto o Gray, monto qualquer cavalo. Se eu coleto o Gray, coleto qualquer cavalo.

Se eu curasse o Gray, curaria qualquer cavalo.

Desculpa, não deu tempo. Mas eu tentei o melhor que pude.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

E o ano começa...

DESEJOS

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

(Carlos Drummond de Andrade)