sábado, 26 de janeiro de 2008

A vida continua.... pelo menos é o que dizem


10 horas levaram um cavalo da nossa convivência. Quem não entende de cavalo (ou do que eles significam na vida de uma pessoa) ou não gosta de animais, nem deve continuar a ler.

Era um tanque de guerra. Cativou todos que passaram perto dele, até os indiretamente envolvidos. Relinchava TODAS as vezes que me via, sabia que ganharia um biscoito. Vinha do piquete quando eu chamava. Era um vendido, fazia essas coisas com quase todos, mas me faz bem achar que era só pra mim. Voava sobre os obstáculos. E só quem teve o prazer se sentar na sua sela é que sabe a onipotência dele. Ele sabia que era o melhor. Ele não escondia isso de ninguém. Inteligente. Limpo. Personalidade exclusiva. Nunca deu um coice de propósito para acertar ninguém. Sua arma era o rabo, que parecia ter metros de comprimento, e mira certeira. Depois da rabanada, a cara de sonso - quem, eu? ah, desculpe...

Movia o dia-a-dia de muita gente. Todos envolvidos no seu cotidiano, ou no cotidiano do seu proprietário, cujo humor variava em função de um simples cavalo. "Como está o Gray?" - era a pergunta feita pelo segurança, pela recepcionista, pela secretária. Na verdade, o intuito era saber como estaria o poderoso chefão.

O olhar te abraçava, te consolava. Como se fosse um homem com H. Ele sabia que era tudo dele, tudo pra ele. Gostava do que fazia. Saltava com prazer, nunca por obrigação. Saía da pista realizado. Foi um guerreiro a vida toda. Sentiu muitas dores, e voltou a saltar, sem que tivéssemos descoberto exatamente qual era o seu problema. Melhorava, e metia bronca. Nunca "negou fogo". Nunca deu um refugo, mesmo que estivesse tudo errado. Fazia a cara de "deixa comigo, mas se segura aí em cima". Não gostava de saltar pequeno, e realmente não saltava pequeno... Ele nunca desistiu, e por isso, ninguém nunca desistiu dele. Era o desafio diário de todos.

De cima dele, a vida mudava. Ele tinha o poder de te fazer sentir capaz de fazer qualquer coisa na vida. Ou não. Se eu monto o Gray, monto qualquer cavalo. Se eu coleto o Gray, coleto qualquer cavalo.

Se eu curasse o Gray, curaria qualquer cavalo.

Desculpa, não deu tempo. Mas eu tentei o melhor que pude.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

E o ano começa...

DESEJOS

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

(Carlos Drummond de Andrade)